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sábado, 11 de outubro de 2014

Leituras! | A Poesia, Delfim Peixoto

A Poesia


A poesia diz, desdiz,
Elucida, confunde,
Escurece, ilumina,
Disfarça, é verdade.

É uma cor de camaleão,
Nunca a mesma em qualquer ocasião,
É como o vento, lento, calmo, ou furacão
É dizer sim, quando quer dizer não.

A poesia
Não é do poeta.
Nem de quem o lê,
É dela própria
Nem sei bem
Porquê!

A poesia
Não é flor,
Nem calor,
Nem emoção,
Nem Estação.

A poesia são palavras arrumadas
Por semelhanças agrupadas.
Não tem alma nem Razão,
Para quem nunca soube
Cheirar o vento,
Tocar o céu,
Amar sem ver,
Sem tocar.

Só quem no dia vê estrelas
Ou na noite sente o sol,
Ou as lágrimas no papel pressente
Pode saber o que a Poesia é!

Assim, a Poesia não existe
Para quem não a lê!
É uma luz resplandecente
Para quem mesmo cego
A ouve, a sente, a vê!


Delfim Peixoto 

http://portuguesapoesia.blogspot.pt/2013_08_01_archive.html

terça-feira, 19 de agosto de 2014

10 cidades | Lugares para visitar com livros debaixo do braço


10 cidades para visitar com livros debaixo do braço: uma proposta de Filipa Melo na LER de julho de 2008



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Boas férias e boas leituras!

O mês de agosto é sempre uma oportunidade para navegarmos por mares calmos ou revoltosos, conhecer novas paisagens, (re)conhecermos outras culturas e formas de viver através da leitura.

Deixamos um endereço html que apresenta várias propostas em ambiente digital com diferentes temáticas e autores. Pode clicar em Livros Digitais e boas descobertas.


Clique na imagem e poderá (re)ler O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry neste site!






"On ne voit bien qu'avec le coeur. L'essentiel est invisible pour les yeux."
in Le Petit Prince


A Biblioteca Escolar deseja a todos os seus leitores boas férias e boas leituras!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Leituras! | "Um dia", Sophia de Mello Breyner Andresen

Um dia
Sophia de Mello Breyner Andresen


Um dia, mortos, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados, irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.

Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais, na voz do mar,
E em nós germinará a sua fala.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Para Ti

 Para Ti

Foi para ti 
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"